A psicóloga clínica e neuropsicóloga Juliana Gebrim, formada pelo Instituto de Psicologia Aplicada e Formação de Portugal, avalia os efeitos do uso de inteligência artificial sobre o cérebro humano. Segundo a especialista, o risco existe quando a tecnologia passa a ocupar o espaço do próprio raciocínio, substituindo processos essenciais para o desenvolvimento mental por respostas prontas e automáticas.
De acordo com a profissional, o cérebro humano se fortalece ao analisar informações, fazer conexões, questionar e buscar soluções. Quando essas etapas são frequentemente substituídas por soluções automatizadas, as habilidades envolvidas tendem a ser menos exercitadas, gerando um raciocínio mais mecânico e reduzindo o espaço para a avaliação de diferentes perspectivas.
A neuropsicóloga destaca cinco funções mentais que sofrem com a dependência excessiva de tecnologias: a busca ativa por informação, a criatividade, a atenção e a concentração, a memória e o planejamento. Entre os impactos observados, está a menor disposição para buscar dados profundos, concatenar fatos e manter leituras longas.
Outro ponto abordado é o papel do erro no aprendizado. A especialista explica que recorrer imediatamente à inteligência artificial reduz o esforço cognitivo necessário para formar memórias, pois o aprendizado humano depende da tentativa, do erro, da revisão e da descoberta.
Por fim, a profissional aponta que crianças e adolescentes formam o grupo mais exposto aos impactos cognitivos, uma vez que o córtex pré-frontal e outras estruturas ligadas à autonomia intelectual, ao planejamento e ao controle de impulsos ainda estão em fase de desenvolvimento nessa faixa etária.

