Estudos científicos recentes têm investigado a relação entre a visão e o desenvolvimento de condições neurodegenerativas, como a demência e a doença de Alzheimer. As alterações visuais podem atuar como fator de risco para o declínio cognitivo e, simultaneamente, estruturas dos olhos, a exemplo da retina, passam por pesquisas para verificar se revelam indícios dessas enfermidades antes da manifestação de sintomas cognitivos mais expressivos.
A presença de problemas visuais não corrigidos está associada a um risco maior de comprometimento cognitivo, embora a perda da visão isolada não represente causa direta da demência. Entre os possíveis mecanismos estão a redução de estímulos sensoriais, o isolamento social, as limitações no cotidiano e fatores compartilhados de envelhecimento e saúde vascular. Por conta disso, o tratamento de quadros oculares tratáveis, tais como catarata e erros de refração, integra as estratégias potencialmente modificáveis voltadas à prevenção do declínio cognitivo.
Por ser considerada uma extensão do sistema nervoso central, a retina permite exames diretos e não invasivos. Pesquisadores identificaram variações na espessura de camadas retinianas, nos vasos sanguíneos e nas fibras nervosas de indivíduos com doença de Alzheimer e comprometimento cognitivo. Uma das ferramentas mais estudadas nessas análises é a tomografia de coerência óptica, técnica que capta imagens em alta resolução das diferentes camadas da retina para observar se modificações ocorrem antes do estágio clínico da demência.
Apesar da identificação de associações com marcadores biológicos característicos do Alzheimer, como alterações ligadas à proteína tau e depósitos relativos à beta-amiloide, os dados ainda não apresentam uniformidade suficiente para que a análise retiniana seja aplicada de forma isolada no diagnóstico. Revisões apontam divergências entre pesquisas e destacam a necessidade de padronização e validações longitudinais. O cenário mais promissor envolve a convergência de avaliação clínica, exame oftalmológico, tomografia de coerência óptica, inteligência artificial e biomarcadores sanguíneos, abordagem que segue sob validação científica.

